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terça-feira, 3 de abril de 2012

Quando me entrego me atiro, mas quando recuo não volto mais.


[Clarice Lispector]

...

*decepcionada com todas as pessoas que considero. A gente quer apoio de quem apoiamos, mas o que recebemos é bem diferente disso.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

[CL]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sofrer dói, dói e não é pouco. mas faz um bem danado depois que passa.

[CL]

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

E nesse silêncio profundo, se esconde a minha vontade de gritar.

[CL]

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Suponhamos que eu seja uma criatura forte, o que não é verdade. Suponhamos que ao tomar uma resolução eu a mantenha, o que não é verdade. Suponhamos que eu escreva um dia alguma coisa que desnude um pouco a alma humana, o que não é verdade. Suponhamos que eu tenha sempre o rosto sério que vislumbro de repente no espelho ao lavar as mãos, o que não é verdade. Suponhamos que as pessoas que eu amo sejam felizes, o que não é verdade. Suponhamos que eu tenha menos defeitos graves do que tenho, o que não é verdade. Suponhamos que baste uma flor bonita para me deixar iluminada, o que não é verdade. Suponhamos que eu esteja sorrindo logo hoje que não é dia de eu sorrir, o que não é verdade. Suponhamos que entre os meus defeitos haja muitas qualidades, o que não é verdade. Suponhamos que eu nunca minta, o que não é verdade. Suponhamos que um dia eu possa ser outra pessoa e mude de modo de ser, o que não é verdade.


 [CL]

terça-feira, 7 de junho de 2011

Enquanto doía ela olhava os ponteiros do relógio, via então que os minutos contados no relógio iam passando e a dor continuava doendo.

[CL]

...
*me sinto péssima. (e sei que isso ainda não é nada.)
"Oi, oi, oi...", gemeu baixinho cansada e depois pensou : o que vai acontecer agora agora agora?

[CL]

domingo, 5 de junho de 2011

Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.

[CL]
Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo.

[CL]

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade.

[CL]

terça-feira, 10 de maio de 2011

Que medo alegre, o de te esperar.


[CL]

...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Eu não preciso me "entender". Que vagamente eu me sinta, já me basta.

[cl]
Palavras até me conquistam temporariamente, mas atitudes me ganham ou me perdem para sempre.

[cl]

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sinto saudades de quem não me despedi direito, das coisas que deixei passar, de quem não tive mas quis muito ter.

[CL]

...
*nada aqui diz mais de mim do que isso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sentia uma pressa por dentro, sentia pressa: havia alguma coisa que ela precisava saber e experimentar e não estava sabendo e nunca soubera.

[CL]
Sempre fui uma tímida muito ousada.

[CL]

...
*nem sempre.
Mas no entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza.

[CL]

segunda-feira, 4 de abril de 2011



Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro."Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

[CL]

segunda-feira, 21 de junho de 2010



"E não preciso sequer cuidar da minha alma, ela cuidará fatalmente de mim, e não tenho que fazer para mim mesma uma alma: tenho apenas que escolher viver. Somos livres, e este é o inferno"

[C.L]

terça-feira, 8 de junho de 2010

"O esquecimento das coisas é minha válvula de escape. Esqueço muito por necessidade."

[C.L]