quarta-feira, 11 de maio de 2011

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*friozinho na barriga...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Que medo alegre, o de te esperar.


[CL]

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos...
(...)


[MQ]

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*bem isso.

Supposed To Be - Default

Pensamentos, como cabelos, também acordam despenteados. Naquela faixa-zumbi que vai em slow motion, desde sair da cama, abrir as janelas, avaliar o tempo e calçar os chinelos até o primeiro jato da torneira – feito fios fora de lugar emaranhando-se, encrespam-se, tomam direções inesperadas. Com água, mão, pente, você disciplina cabelos. E pensamentos? Que nem são exatamente pensamentos, mas memórias, farrapos de sonho, um rosto, premonições, fantasias, um nome. E às vezes também não há água, mão, pente, gel ou xampu capazes de domá-los. Acumulando-se cotidianas, as brutalidades nossas de cada dia fazem pouco a pouco alguns recuar – acuados, rejeitados – para as remotas regiões de onde chegaram. Outros como cabelos rebeldes, renegam-se a voltar ao lugar que (com que direito?) determinamos para eles. Feito certas crianças, não se deixam engabelar assim por doce nem figurinha.

Pensamentos matinais, desgrenhados, são frágeis como cabelos finos demais que começam a cair. Você passa a mão, e ele já não está mais ali – o fio. No travesseiro sempre restam alguns, melhor não olhar para trás: vira-se estátua de cinza. Compacta, mas cinza. Basta um sopro. Pensamentos matinais, cuidado, são alterados feito um organismo mudando de fuso horário. Não deveria estar ali naquela hora, mas está. Não deveria sentir fome às três da tarde, mas sente. Não deveria sentir sono ao meio-dia, mas. Pensamentos matinais são um abrupto mas com ponto final a seguir. Perigosíssimos. A tal ponto que há risco de não continuar depois do que deveria ser uma curva amena, mas tornou-se abismo.

E só vamos em frente porque começam a acontecer urgências. Enquanto a manhã dispara e o telefone toca e a campainha soa e as crianças vão precisam sair para a escola e o relógio de ponto ou qualquer coisa assim – incluindo os outros, sobretudo os outros – não esperam. Nada espera, ninguém. Você lava o rosto, finge não ter visto coisa alguma. É possível também ligar o rádio. Um banho frio, o café feito uma bofetada. Há pensamentos-matinais-despenteados que põe o rabo entre as pernas e dão o fora, mas outros – mulheres de Nelson Rodrigues – adoram apanhar.

Quanto mais você bate, mais ele arreganha os dentes e intica para apanhar mais. Isso magnetiza e atrai outros pensamentos, ainda mais descabelados e até então escondidos. Se era um nome, vem um sobrenome. Se era um rosto, vem a textura da pele, um cheiro um jeito de olhar. Se fantasia, ganha cor, e assim por diante. Pensamentos desse tipo são quase sempre proustianos: loucos pelo velho e bom tempo perdido.

Soluções mais grosseiras, há. Colmo papel higiênico, amarrotá-los, jogá-los na privada, dar descarga. Acontece que descargas, não quero parecer alarmista, às vezes entopem. E devolvem justamente aquilo que deveriam levar embora, num comportamento que é o avesso daquele para qual foram programadas. Ah o avesso, esse o problema. Pensamentos assim são um sintoma do avesso. E o avesso é a superfície correspondente, igual em tamanho e forma, a tudo aquilo que você considera o direito. Conhecer de cor-e-salteado o direito absolutamente não dá direito a conhecer também o outro lado. Sinto muito, mas ele sempre está lá. Incógnito, invisível, inviável. In, enfim.

Por ser assim, desordena-se. Pelas manhãs, mesmo que o de-manhã de alguns aconteça às seis da tarde. Mesmo nos calvos, a cabeleira abstrata pode amanhecer tão eriçada quanto a da Medusa. E se em vez de veneno as cobras tiverem mel? Tudo depende não me pergunte de quê. Só sei que deve-se olhar direito nos olhos deles, tocar sem nojo nem medo suas mãos cobertas de musgo, teias de aranha. Passar num susto a mão pelos cabelos, reais ou não. Deve-se sempre com a doçura e paciência possíveis nessas situações, mudar rápido de assunto. Ou cair no poço. 

[cfa]


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*mudo rápido de assunto ou caio no poço?

domingo, 8 de maio de 2011

" (...) Quando você foi embora, fiquei um caco. Pergunte a Tim.
Mal trabalhei nas casas. Sei que enviei cartas fazendo você acreditar que tudo estava bem, mas não estava. Chorei todas as noites, e todos os dias fiquei em casa imaginando, esperando e desejando que você aparecesse caminhando na praia. Toda vez que via alguém com cabelo à escovinha, sentia meu coração bater mais rápido, embora soubesse que não era você. Mas essa era a questão. Eu queria que fosse você. Todas as vezes. Sei que o que você faz é importante, e entendo que esteja servindo no exterior, mas acho que não entendi como seria difícil quando estivesse longe. Parecia que eu estava quase me matando, e demorou um tempo para eu começar  a me sentir normal de novo. E desta vez, por mais que eu quisesse ver você, por mais que eu te ame, parte de mim está aterrorizada que eu venha a me despedaçar de novo quando nosso tempo juntos acabar. Estou sendo puxada em duas direções, e minha reação foi fazer qualquer coisa a meu alcance para evitar o que passei no ano passado. Então tentei manter-nos ocupados, sabe? Para evitar que meu coração se partisse de novo.
        Senti a garganta apertar, mas não disse nada, Após algum tempo, ela continuou.
       "Hoje, percebi que estava magoando você. Não é justo com você, mas ao mesmo tempo, estou tentando ser justa comigo também. Em uma semana, você terá partido novamente, e eu vou ter que descobrir sozinha como continuar a viver. Algumas pessoas conseguem. Você pode conseguir. Mas, para mim..."
        Ela olhou para as mãos, e por um longo tempo ficamos em silêncio.
       "Não sei o que dizer", finalmente admiti.
        Apesar de tudo, ela riu. "Não quero resposta", disse ela, "porque não acho que haja resposta. Mas sei que não quero te magoar. É tudo o que sei. Só espero encontrar um jeito de ser mais forte neste verão."

[Diálogo entre Savannah e John, em Querido John / pág. 176]

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*a página toda agora já que eu sempre acabo pegando o livro pra lê-la novamente.
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*To sentindo uma vontade incontrolável de falar e ao mesmo tempo uma vontade absurda de ficar sozinha, de não ver ninguém.
Hoje, percebi que estava magoando você. Não é justo com você, mas ao mesmo tempo estou tentando ser justa comigo também.

[Savannah, sobre John, em Querido John / pág. 176]

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*fui abrir o livro pra ler novamente a parte que coloquei aqui no dia 01/05, e li essa outra, que instantaneamente fez meus olhos transbordarem =,(
Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como "estou contente outra vez".

[cfa]
E bati. E bati outra vez. E tornei a bater. E continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar. Era tudo um engano, eu continuava batendo e continuava chovendo sem parar. Eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo nesta porta que não abre nunca.

[cfa]

Quase Sem Querer

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.

Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,

Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!

Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.



...
*música que gosto tanto na voz da Zélia Duncan.
Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer

[Titãs]
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer

[Titãs]
"Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela." 

[AN]

terça-feira, 3 de maio de 2011

Essas lembranças eram minhas e só minhas, pois aprendi que é melhor manter algumas coisas em segredo.

[John, em Querido John / pág.200]
Gostaria de saber o que pensavam quando me viram passar. Será que perceberam que eu estava perdendo tudo o que importava para mim? Ou que eu desejava mais uma vez poder mudar o passado?

[John, em Querido John / pág.188]

domingo, 1 de maio de 2011

Sobre nós dois
Ninguém vai saber de tudo
Parece uma partida
Contra o resto do mundo...

[Frejat]
...e demorou um tempo para eu começar a me sentir normal de novo. E desta vez, por mais que eu quisesse ver você, por mais que eu te ame, parte de mim está aterrorizada que eu venha a me despedaçar de novo, quando nosso tempo juntos acabar.

[Savannah, sobre John, em Querido John / pág. 176]

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...e todos os dias fiquei em casa imaginando, esperando, e desejando que você aparecesse caminhando na praia. (...) Mas essa era a questão. Eu queria que fosse você. Todas as vezes.

[Savannah, sobre John / pág. 176]
...Mas a cada nova história me fazia sentir  naufragar, pensando que, por mais que tenhamos mantido contato, por mais que gostássemos um do outro, de algum modo, ela ia para a direita enquanto eu ia para a esquerda.

[John, sobre Savannah, em Querido John /pág.166]