sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha à mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar..."

[c.f.a]
"O amor é o pior de todos os vícios. As drogas e o álcool levam o viciado a cometer crimes contra os outros. A primeira vítima do apaixonado é sempre ele mesmo. Enquanto o viciado pensa em assassinato, o apaixonado pensa em suicídio. Um viciado pode ser internado em uma clínica, mas para os apaixonados resta o manicômio conhecido por saudade. Esses puppets de Eros e Afrodite consideram a poesia a sua Bíblia e Vinícius de Moraes o seu Fernandinho Beira-Mar."
[Douglas Kim]
Ela estava com o ônibus atrasado, mas por algum motivo voltou e viu pessoas que sentiu que devesse se despedir novamente...
Ele estava lá, e quando ela foi lhe dar um abraço, ele deu um beijo no canto dos lábios.
- sabia que esse beijo assim me faz arrepiar? - sussurou ela no ouvido dele.
- é essa a intenção. - respondeu o menino meio tímido na cadeira.
Eles se olharam por um breve momento. O ônibus estava quase saindo e ela precisava voltar. Mesmo com ela sabendo voar, podendo atravessar a cidade rapidamente assim, ela ainda corria o risco de perder o ônibus. Mas alguma coisa a prendia alí, e ela não conseguia simplismente ignorar.
Eles ficaram abraçados. Ela agachada e ele na cadeira. Até que se beijaram. Um beijo que parecia que havia sido esperado por muito, muito tempo, pelos dois.
Havia tanto sentimento naquela salinha - que as vezes parecia a varanda de uma casa - que parece que todos ao redor conseguiam sentir.
Ela lhe deu mais um beijo, dessa vez nos lábios, sentiu tudo o que aquele momento era pra ela, e pensou em algo meio maluco de se dizer pra alguém que aparentemente era a primeira vez que via..
- Namora comigo?
Ele olhou com expressão de quem não entendeu direito o que foi dito.
- É, namora comigo? - disse ela novamente - é o que queremos. Imagina como será ótimo isso pra nós dois. Eu sinto que você também quer.
Ela o olhou. Ele não precisava responder. Seus olhos respondiam por si só.
Eles sabiam o que aquilo significava.
Eles sabiam todo o sentimento que havia ali.
Ela sentiu vontade de dizer que lhe amava, de um modo diferente de tudo o que já sentiu antes. Mas ela achou que estava muito cedo, que ele poderia não acreditar, apesar de ser a coisa que ela mais tinha certeza naquele momento.
- Eu gosto muito de você. - disse ela agachada, olhando nos olhos dele.
- Eu também gosto muito de você. - disse ele.
Talvez os dois sentissem exatamente a mesma coisa. Mas eles também pensaram a mesma coisa.
Frases não foram ditas.
Sentimentos intensos não foram declarados.
Tudo por medo de ser "cedo demais pra dizer."

Mas não tem problema...
O menino da cadeira de rodas existiu só por alguns minutos no sonho dela. E ela logo acordou, não acreditando que algo com tanto sentimento tinha sido apenas um sonho.

[]

quarta-feira, 12 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Suponho que me entender não seja uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca"

[C.L]
...
*Sinto um vazio dentro de mim que não sei bem o porque...

Sinto uma saudade que não sei bem do que é...
Acho que estou me anestesiando aos poucos...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

"É difícil me iludir, porque não costumo esperar muito de ninguém. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente BURRA e quem não sabe mentir direito. Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça, não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar."

[cfa]
"Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Eu gosto de gostos, eu gosto de pele, de cheiro, de amor verdadeiro."

[cfa]

domingo, 25 de abril de 2010

- Você são futuro namorados?
[silêncio]
- Não - Sim
[risos]
- Sim
- Então guardem pra ver o que mudará.

[]

domingo, 18 de abril de 2010

"Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro.
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais.
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude.
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade.
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ...
Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal.
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora.
Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas.
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!."

[Martha Medeiros]

segunda-feira, 12 de abril de 2010

"E pela minha lei, a gente era obrigada a ser feliz..."

[Chico Buarque]
"Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria."

[Martha Medeiros]
Se "estar triste" significa estar atento a si próprio e também decepcionado com alguém, com vários ou consigo mesmo, então talvez hoje eu esteja.
Não que eu me sinta triste hoje, eu não sinto. Mas também não sei o que sinto. Estranho não?
Aparentemente eu estou bem. Eu me olho no espelho e me sinto bem. Mas se paro pra pensar eu percebo que não estou, e aí eu paro de pensar. Talvez esse seja o problema. Eu não deveria fazer isso, porque quando eu paro, eu estou me anulando.
Eu estou achando que tudo o que não concordo vai mudar, vai passar.
Eu ainda acho que as pessoas vão mudar. Eu ainda acho que será como eu acredito que deveria ser.
Talvez eu esteja me enganando.
É, eu acho que é isso que estou fazendo comigo.
Me enganando.
Dia após dia.

[]

“A tristeza permitida

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga / nestas noites quentes de verão / e não me importa que mil raios partam / qualquer sentido vago da razão / eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.”

[Martha Medeiros]

"..tem muita gente piruá neste planeta. Gente que não reage ao calor, que não desabrocha, que não vira pipoca..."

[Martha Medeiros]
"Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota"

[Martha Medeiros]
"Mas não sou hipócrita, Guila. Não sei fazer "jogo social". Até saberia, mas não me interessa, tenho preguiça."

[Caio Fernando Abreu]

sábado, 10 de abril de 2010

"-Às vezes sinto falta de mim.
-Eu também, menina.
-Sente falta de si?
-Não, de você. E dói.

[Silêncio]
-Me abraça?
-Sempre."

[cfa]



...
*saudade das noites cheias de gargalhadas com suas histórias malucas mamys.
“Em minhas andanças,
eu quase nunca soube se
estava fugindo de alguma coisa
ou caçando outra”.

[Rubem Braga]

...
*nunca
“E tem o seguinte, meus senhores:
não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir.
Pelo contrário: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda”

[Caio Fernando Abreu]